Filosofia
A obra de Kant pode ser dividida em dois períodos
fundamentais: o pré-crítico e o critico.
·
O
primeiro (até 1770) corresponde à filosofia dogmática, onde é notória a
influência de Leibniz e Wolf. Nesta fase realiza importantes estudos na área
das ciências naturais e em particular da física de Newton. Entre as suas obras
deste período, destaca-se a História Universal da Natureza e Teoria do
Céu (1755), onde apresenta a célebre hipótese cosmológica da
"nebulosa" para explicar a origem e evolução do nosso sistema solar.
Mostra-se partidário da existência de vida em outros planetas, procura mostrar
que Deus existe partindo da ordem e da beleza do universo. A partir de
1762, Kant começa a manifestar um vivo interesse pelas questões filosóficas, em
especial para a crítica das faculdades do homem.
·
O
segundo período corresponde ao despertar do "sono dogmático"
provocado pelo impacto que nele teve a filosofia de Hume. Escreve então obras como
a Crítica da Razão Pura, Crítica da Razão Prática e Critica da Faculdade de
Julgar, nas quais demonstra a impossibilidade de se construir um sistema
filosófico metafísico antes de ter previamente investigado as formas e os
limites das nossas faculdades cognitivas.
Respondendo às questões colocadas por Hume, afirmou que
todo o conhecimento começa com a experiência, mas não deriva todo da
experiência. A faculdade de conhecer tem uma função activa no processo do
conhecimento. Este não representa as coisas como são em si mesmas, mas sim como
são para nós. A realidade em si é incognoscível, tal como Deus. Esta
teoria irá permitir a Kant fundamentar o dualismo "coisa em si" e o
"fenómeno" (o que nos é dado conhecer). Concepção que irá ter
profundas repercussões na filosofia até aos nossos dias.
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